FORMAÇÃO PERMANENTE

 “A formação permanente, tanto para os Institutos de vida apostólica como para os de vida contemplativa, [portanto não diferente para um missionário servo do Senhor][1], constitui uma exigência intrínseca à consagração religiosa. Como se disse, o processo de formação não se reduz à sua fase inicial, visto que a pessoa consagrada, pelas suas limitações humanas, não poderá mais pensar ter completado a gestação daquele homem novo que experimenta dentro de si, em cada circunstância da vida, os mesmos sentimentos de Cristo. A formação inicial deve, portanto, consolidar-se com a formação permanente, criando no sujeito a disponibilidade para se deixar formar em cada dia da sua vida.

Por conseguinte, será muito importante que cada Instituto preveja, como parte da ratio institutionis, a definição, o mais possível precisa e sistemática, de um projeto de formação permanente, cujo objetivo primário seja o de acompanhar cada pessoa consagrada com um programa aberto à existência inteira. Ninguém se pode eximir de se aplicar ao próprio crescimento humano e religioso; tal como ninguém pode presumir de si mesmo, gerindo a própria vida com autossuficiência. Nenhuma fase da vida se pode considerar tão segura e fervorosa que exclua a conveniência de cuidados específicos para garantir a perseverança na fidelidade, tal como não existe idade que chegue ver consumada a maturação da pessoa.”[2]

Assim sendo, o frade Missionário Servo do Senhor, participa do retiro anual próprio, bem como do retiro e formação do clero, em cuja Diocese esteja em missão! E quando, oportunamente, participa de alguma formação específica de ofício oferecidas pelos núcleos da Conferência dos Religiosos do Brasil, ou ainda, um ou outro frade, em tempos oportunos, é encaminhado a especializações específicas.

Dimensões da Formação Permanente

“Se o sujeito da formação é a pessoa nas diversas fases da sua vida, o termo último da formação é a totalidade do ser humano, chamado a procurar e a amar a Deus, « com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças » (Dt 6,5) , e ao próximo como a si mesmo (Lv 19,18, Mt 22,37-39). O amor a Deus e aos irmãos é um dinamismo poderoso, que pode inspirar constantemente o caminho de crescimento e de fidelidade.

A vida no Espírito tem obviamente o primado. Nela, a pessoa consagrada readquire a própria identidade e uma serenidade profunda, cresce na atenção aos desafios quotidianos da Palavra de Deus, e deixa-se guiar pela inspiração original do próprio Instituto. Sob a ação do Espírito, são tenazmente defendidos os tempos de oração, de silêncio, de solidão, e implora-se do Alto, com insistência, o dom da sabedoria para as canseiras de cada dia.

A dimensão humana e fraterna requer o conhecimento de si mesmo e dos próprios limites, para daí tirar o devido estímulo e apoio no caminho para a plena libertação. Particularmente importantes, no contexto moderno, são a liberdade interior da pessoa consagrada, a maturidade afetiva, a capacidade de comunicar com todos, especialmente na própria comunidade, a serenidade do espírito e a sensibilidade por quem sofre, o amor à verdade, uma coerência linear entre as palavras e as obras.

A dimensão apostólica abre a mente e o coração da pessoa consagrada, e predispõe-na para um contínuo esforço no serviço, como sinal do amor de Cristo que a impele (cf. 2Cor 5,14). Isto significará, na prática, uma actualização de métodos e objetivos das atividades apostólicas, na fidelidade ao espírito e finalidade do fundador ou fundadora e às tradições posteriormente maturadas, com uma atenção constante às alterações verificadas nas condições históricas e culturais, gerais e locais, do ambiente onde se trabalha.

A dimensão cultural e profissional, tendo por base uma sólida formação teológica que consinta o discernimento, implica uma actualização permanente e uma atenção particular aos vários campos que cada carisma privilegia. Por isso, é necessário permanecer mentalmente o mais possível abertos e dóceis, para que o serviço seja concebido e prestado segundo as exigências do respectivo tempo, valendo-se dos instrumentos fornecidos pelo progresso cultural.

Na dimensão do carisma, por último, encontram-se recolhidas todas as outras exigências, como numa síntese que exige um aprofundamento contínuo da própria consagração especial em suas várias componentes, não só na apostólica, mas também nas componentes ascética e mística. Isto comporta para cada um dos membros um estudo assíduo do espírito do Instituto a que pertence, da sua história e missão, para melhorar a sua assimilação pessoal e comunitária.”[3]

 

[1] Acréscimo nosso
[2] João Paulo II, in Exortação apostólica pós-sinodal vita consecrata, n. 69
[3] Cf. Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Instr. Potissimum institutioni (2 de Fevereiro de 1990), 68: AAS 82 (1990), 512.