Noviciado

Contemplar

O termo “Escola Apostólica”
Segundo o fundador do IMSS, Dom José Edson, o noviciado recebe este título de “Escola Apostólica” baseado no Evangelho de São Lucas, que diz: “Jesus foi à montanha para orar e passou a noite inteira em oração a Deus. Depois que amanheceu, chamou os discípulos e dentre eles escolheu doze, aos quais deu o nome de apóstolos[1]”. Jesus chamou os que Ele quis para formá-los, para estarem próximos dele, viverem e conviverem com Ele. De maneira semelhante, Nosso Senhor Jesus Cristo, no seio de sua Igreja, tão rica em dons e carismas escolhe os que Ele deseja para viverem o carisma da Acolhida Redentora. Quem aceita o chamado entra de fato numa escola, entra numa dinâmica nova de aprendizado, de aceitação de valores no firme propósito de transmitir ao mundo a paterna bondade de Deus.

Na “Escola Apostólica”, cada noviço experimenta viver com um mestre e com os irmãos a vida fraterna. Nesta escola, o frade é gerado. Ela pode ser considerada a célula vital do Instituto. Sem experimentar da vida com Jesus em fraternidade não se pode adquirir um verdadeiro caráter servitano.

– O Noviciado

Na formação inicial de um frade, o noviciado é a fase principal e decisiva pela opção de vida e carisma da acolhida redentora (estudo das Constituições), no seio da Igreja. Os conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência unem-se intrinsecamente à pessoa, de modo a moldarem o estilo de pensar, celebrar, optar, planejar, enfim, viver. O Noviciado é concretização do “Por Cristo, Com Cristo e em Cristo[2]”, o noviço faz uma experiência de viver com, por e em Cristo. Vivendo Nele, poderá subtrair aquilo que o impede de alcançar o ideal. “Tudo posso naquele que me fortalece[3]”. Tempo de oração, de intimidade, oportunidade ímpar na vida do formando. Neste período o jovem beberá da água viva, que saciará sua sede da vida inteira. “Quem beber da água que eu der nunca mais terá sede[4]”. Um noviciado bem feito implica numa vida inteira de entrega, serviço, amor e realização humana e espiritual; o contrário trará resultados catastróficos. Algumas atitudes, próprias desta etapa, justificam-se no gastar tempo com as coisas do alto:

Não é um período místico, no sentido de afastar o noviço das coisas do mundo, mas sim ascético e contemplativo, no sentido de forjar convicções, purificar as motivações vocacionais e aprofundar uma relação de amizade íntima com o Senhor, segundo o carisma do próprio Instituto. Por isso, o noviciado […] não é tempo de experiência de metodologias de inserção em meios populares, ou trabalhos missionários prolongados, ou colaboração prolongada com obras apostólicas do Instituto, ou estudos intelectuais para completar a formação acadêmica. […] Tempo haverá para que o candidato realize apostolados, estudos e experiências. Para a maioria dos religiosos, o noviciado se converte no único tempo de sua vida em que tem a oportunidade de aprofundar as raízes de sua vocação, à luz de sua relação pessoal com o Senhor[5].

O noviciado leva o período de um ano e finda-se com a consagração religiosa, que se dá publicamente e tem valor de três anos (renováveis). Após a consagração o noviço é aceito nos anais do IMSS como frade e passa a pertencer, não só afetiva, mas efetivamente à instituição.

Lc. 6, 12-13
Missal Romano, Oração Eucarística  III.
Fl 4,13
Jo 4,14
RAMÍREZ, 2013, p. 65-66