Postulantado

Preparar

                   Depois que o candidato conhece o IMSS e é conhecido por ele, é possível dar mais um passo na formação. O Postulantado é o tempo da preparação. As lacunas humanas (de ordem psicológica/humano-afetiva) e intelectuais (de ordem acadêmica e cultural) ganham uma preciosa atenção. Uma boa dose de seriedade é ingrediente indispensável na formação de um Servo do Senhor, durante esta fase. A honestidade perene da parte do candidato é indispensável neste passo do caminho formativo, sem ela tornar-se-á difícil vir a ser um servo, discípulo e missionário do Senhor. O desejo dos formadores é o de que os formandos se coloquem como Maria, Mãe e Serva do Senhor, que diante da proposta divina diz: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra[1]”. Uma vez que o jovem conheceu o IMSS e foi conhecido na fase anterior, neste sentido, o Postulantado é tempo de trabalho, de redimensionamento, de melhoramento da pessoa. O IMSS continua oferecendo ao candidato condições de se viver as dimensões formativas que determinam os bispos do Brasil[2].

  • Dimensão Pastoral – propõe-se, nesta fase, uma atividade de apostolado junto aos frades, nas paróquias administradas pelo IMSS. Cada um, de maneira metodológica e assistida (pela intervenção direta dos formadores) pode contribuir com a evangelização, ao tempo, que constata a vivência do carisma, no contato direto com a ação pastoral dos consagrados servitanos;
  • Dimensão Comunitária – exige-se além da vida em comunidade que é oportunizada, alguns sinais de pertença (neste caso afetiva) ao IMSS. O postulante deve começar a contribuir com a vida fraterna, sendo corresponsável, acolhedor, desenvolvendo sua capacidade crítica para com o grupo, manter diálogo aberto com o formador e dispor suas capacidades ao grupo;
  • Dimensão intelectual – este tempo é propício para sanarem-se as deficiências na formação escolar. O postulante passa por um nivelamento intelectual. Aulas expositivas e interativas, pesquisas, horários rigorosos de estudo e leitura acompanham-no com um objetivo específico: prepará-lo para os estudos acadêmicos, mais propriamente a Filosofia;
  • Dimensão humano-afetiva – Terapia grupal, acompanhamento individual com psicólogos e profissionais afins e direção espiritual periódica delineiam uma maturação acertada.

Ainda sobre este processo de preparação, uma expressão o qualifica enquanto elemento próprio do carisma – é o “tempo da cura interior”. É o momento primeiro de ajudar a pessoa no processo de amadurecimento, que dura à vida toda:

O processo de amadurecimento afetivo é lento e está submetido ao ritmo do tempo. Participa da temporalidade da existência humana. O ser humano cresce lentamente como organismo vivo, como consciência psíquica e, mais lentamente ainda, como consciência espiritual. Toda pedagogia que vise a articulação equilibrada dos diversos níveis da afetividade humana deve levar em consideração este caráter temporal do processo de amadurecimento[3].

  • Filosofia – Capacitar

                   Capacitação é a mudança na vida do postulante que consegue concluir os estudos filosóficos. O Missionário Servo do Senhor deve ser homem de Deus, com uma acurada capacidade cultural, que o leve à reflexão e compreensão de quem é o homem e das mais distintas correntes de pensamento que o envolve e pauta a vida em sociedade. A cultura servitana deve alcançar, ainda, um fundamento racional sobre Deus. O estudante encontra no estudo da filosofia a oportunidade de dar razões à própria fé. Um elemento do carisma tange à questão da preferência e do cuidado com os nômades e ciganos. O diálogo com as diferentes culturas desses povos, o aprendizado de suas línguas e dialetos, a compreensão de seu modo de vida, suas histórias, raízes patriotas podem ser mais bem compreendidas mediante o estudo sistemático e metodológico. Quanto mais se conhece, melhor se pode acolher e evangelizar. A filosofia abre o candidato ao universo cultural, para que se prepare para melhor servir e encontrar sentido na sua missão.

Como nesta fase, o candidato é levado a alargar seu campo de conhecimento lógico dando uma maior ênfase na dimensão intelectual, a formação lhe proporciona, à luz do carisma, experiências no campo da humanização, ou seja, um apostolado que o ajude a desenvolver os mesmos sentimentos do Filho, capaz de se compadecer com a dor e a miséria humana. “A dimensão humana é a fundamental. Nela a pessoa integra os componentes sociais, psicológicos, afetivos, sexuais, morais, religiosos e intelectuais de sua personalidade, e supera a fragmentação, os reducionismos e o vazio existencial[4]”.  Esta preocupação em integrar as dimensões intelectual e humano-afetiva, visa garantir como resultado do processo formativo servitano, homens capazes de dar razões de sua fé, a exemplo de São Domingos de Gusmão que “escolheu como esposa a Verdade”, assim como, homens capazes de sentimentos como São Francisco de Assis que “escolheu como esposa a pobreza”. Esta dupla escolha dos dois pilares do carisma servitano pretendem ser a inspiração para o processo formativo que quer contribuir com a formação de homens capazes dos sentimentos de Cristo. O IMSS, não pretende formar tão somente religiosos e sacerdotes, mas principalmente pastores para o povo de Deus. 

Lc 1, 38
CNBB doc 94.
Alfonso RUBIO, Evangelização e maturidade afetiva, São Paulo2006, p. 118.
Jaldemir VITÓRIO, A Pedagogia na formação: reflexões para formadores na Vida Religiosa. P. 12.